02Out
By: admin Ligado: Outubro 02, 2017 In: Uncategorized Comments: 0

Até hoje eu fico chocada em perceber como a sociedade subestima e desvaloriza a mulher. “Ih, lá vem a Daya com esse papinho.” Papinho nada, sinto tudo na pele. Imagina pelo que eu passei (e ainda passo) por ter entrado em um território que, até ontem, era exclusivamente masculino: motos e motores.

O preconceito é muito grande e a melhor maneira de enfrentá-lo é continuar fazendo o que eu gosto de fazer, sem dar audiência pra quem só fala bobagem. Se existe um babaca, encontro outras mil pessoas legais que me apoiam e me encorajam. E como é bom encontrar alguém que pensa igual e que representa tão bem as motociclistas.

Uma amiga motociclista da Alemanha

Essa semana eu tive o prazer enorme de conhecer pessoalmente a Simone Maria Richardt. Ela é alemã, moradora de Stuttgart, engenheira mecânica e trabalhou na Mercedes Benz onde fazia test drive dos automóveis.

Querendo se aventurar, saiu da Mercedes Benz para viajar de motocicleta pela América do Sul. Foi para Medelín, na Colômbia, onde comprou uma Royal Enfield, sua única companhia nessa jornada. Depois viajou por quase todos os países da América do Sul, exceto pela Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, pois para chegar nesses países teria que passar pela Venezuela que está em um momento político muito complicado.

O que importa não é o destino e sim o caminho.

Esse é o mapa de viagem da Simone, que levou nove meses para ser concluída. Isso mesmo, nove meses!! Coisa de menina né?

america latina com uma royal enfield

america latina com uma royal enfield

No Uruguai, a motocicleta da Simone quebrou e ela precisou vir à São Paulo para resolver o problema. A Royal Enfield, a marca de motocicletas custom que mais cresce no mundo e pela qual eu tenho muita admiração, deu todo o apoio que ela precisou, consertou a motocicleta e ainda presenteou-a com um capacete. Ela teve um tratamento exemplar, o que mostra que apesar de nova no Brasil, a marca tem um excelente pós-venda e um grande respeito por seus clientes.

A Irmandade dos motociclistas

A Simone enviou alguns e-mails há meses atrás, antes de vir até Curitiba, mas foi através de um amigo do Uruguai que fiquei sabendo o dia que ela passaria por Curitiba e que pretendia visitar a Club 1903 Motorcycles. Ela chegou aqui pela manhã e ficamos conversando. No final das contas, acabei hospedando ela na minha casa, levei-a para conhecer nossas três lojas, para ver a cidade e até fizemos um churrasco especialmente para ela. Foi uma experiência incrível, pois apesar de receber muitos motociclistas de outras nacionalidades na minha casa, foi a primeira vez que recebi uma alemã.

E essa é a parte que me encanta no mundo do motociclismo, a incrível irmandade que existe. Todos se ajudam, se apoiam e, se for preciso, oferecem pouso, comida e companhia. E sempre que vejo uma pessoa viajando, quero fazer alguma coisa para ajudar.

alemã viaja pela america latina com uma royal enfield

Essa não é a primeira vez que a Simone faz longas distâncias. Ela já havia viajado pelo Himalaia e pela Índia, também de Royal Enfield, e ouvir suas experiências é no mínimo um incentivo para continuar viajando e conhecendo novos amigos, novos países e pessoas de muitas nacionalidades.

Meninas, vamos pegar a estrada?

alemã viaja pela america latina com uma royal enfield

As pessoas falam que eu sou maluca por gostar de viajar sozinha, então ela é uma inspiração para mim e para as meninas que andam de motocicleta. A experiência que ela tem é ótima!! Muitas vezes não viajamos porque temos medo ou porque dizem que é muito perigoso. O que ela conta dessa viagem pela América do Sul é que foi tudo muito calmo, muito tranquilo. As pessoas são solícitas e sempre dispostas a ajudar.

Assim como eu, ela em sua viagem não sentiu medo e não passou por nenhum momento de risco ou perigo… não que isso não possa acontecer, mas viajar mais de 27.000 km e não ter nenhum problema com segurança só me faz acreditar que com planejamento, viajando em horários adequados e em estradas principais, movimentadas, dificilmente acontecerá algo pior do que um pneu furado ou uma moto quebrada!

“…tudo muito calmo, muito tranquilo. As pessoas são solícitas e sempre dispostas a ajudar.”

A nova empreitada da Simone

Agora a Simone deixará a motocicleta na casa de um amigo no Uruguai, porque tem a promessa de um retorno breve à América do Sul.

O plano é voltar para Stuttgard e abrir um café temático inspirado no mundo do motociclismo. “Coisa de menina.” E são de meninas assim que estamos precisando: independentes, confiantes e altamente capazes.

Em mim fica a saudade, as lembranças, o aprendizado e o desejo de viajar para lugares mais distantes… já combinamos que no seu retorno vamos fazer uma viagem juntas!!

viajem pela america latina de moto

Então meninas, vamos rodar?

Daya Chalegre – Club 1903 Motorcycles

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