18Out
By: admin Ligado: Outubro 18, 2019 In: Uncategorized Comments: 0

Não é novidade para ninguém que a Harley-Davidson está passando por uma grande reformulação na maneira com que produz e comercializa suas motos. A LiveWire, primeira motocicleta elétrica da marca, é um dos maiores indicadores de que a montadora está de olho no futuro.

Outro exemplo que corrobora com um futuro diferenciado está nas motocicletas de menor potência que estão sendo fabricadas na China e na Tailândia. Tais produtos visam atender um mercado onde a marca não tem lá muita tradição, e onde o trânsito e a falta de espaço demandam veículos compactos. Já falamos disso por aqui, lembra?

Obviamente, a marca está fazendo isso para atrair um novo público. A Harley-Davidson não deve abandonar os velhos motociclistas que amam as grandes customs de motor trovejante, mas a juventude de hoje em dia busca soluções sustentáveis e modernas quando o assunto é mobilidade.

Nada mais justo que uma empresa com mais de um século de experiência tente agradar a este novo público, não é mesmo? Mas parece que não vai ser assim tão fácil: estas novas motos vão ter que se provar não só para o público, mas também para os donos de concessionárias, que ainda não estão convencidos do potencial delas.

Mas o quadro atual deixa indícios que não vai ser uma moto elétrica que irá reverter a situação: o preço de produto “super premium” espanta a freguesia, e o índice de jovens ricos e engajados com causas ambientais que estão dispostos a gastar quase 30 mil dólares em uma LiveWire definitivamente não deve ser lá muito alto.

Só para você ter uma ideia, a Tesla (fabricante de carros elétricos) começou com modelos de 100 mil dólares, mas hoje tem um modelo mais “baratinho” que custa cerca de 35 mil dólares. A queda de preço foi um fator determinante para a marca se tornar uma queridinha do público. E, vale ressaltar que a montadora do Elon Musk foi pioneira na área, algo de que a H-D não pode se gabar: nos EUA, a californiana Zero Motorcycles já vende motocicletas elétricas há tempos, com preços que variam entre 8.500 a 21 mil dólares. A moto mais cara deles, modelo SR/F custa quase U$ 9 mil a menos que a LiveWire. Aí fica difícil, né?

O preço não é o único problema: a infraestrutura e preparação necessários para comercializar a LiveWire são outros fatores que desmotivam os donos de concessionárias, que não estão encomendando as H-Ds elétricas.

Veja bem: comercializar uma moto elétrica obriga a concessionária a investir em uma estação de carregamento de bateria de nível 3. Além disso, funcionários e mecânicos teriam que passar por treinamentos e capacitações para saber lidar com a máquina elétrica. Se a moto “encalha”, todo esse investimento vira prejuízo, e a conta não fecha.

E, independente do tipo de moto, esses caras – os donos de concessionárias — já andam sentindo no bolso a recessão da marca: na Terra do Tio Sam, as vendas vêm diminuindo ano após ano. Nos últimos cinco anos, as ações da Harley-Davidson tiveram uma desvalorização que soma 42%. Para piorar, esta semana a produção da LiveWire foi interrompida depois que o controle de qualidade identificou um problema no mecanismo de recarga da moto. Ainda não se sabe quando as motocicletas voltarão às linhas de produção, mas a situação só aumenta o ceticismo em relação à novidade.

Mudanças nunca são fáceis, e é louvável o esforço da Harley-Davidson em se modernizar. Porém, o caminho até o futuro anda sendo um tanto pedregoso para a marca.

Como fã de uma boa H-D, espero que a empresa consiga dar a volta por cima. E, se a LiveWire ainda não convenceu a todos, as linhas Touring e Sporster seguem mantendo a tradição viva, e é por motos como essas que todos nós nos apaixonamos pela marca, certo?

Vida longa à Harley-Davidson, e sorte nesta “maré de azar”.

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